domingo, 16 de janeiro de 2011

Prefeito diz ter herdado dívidas de R$ 110 milhões

A Folha de Pernambuco publica hoje uma entrevista com o Prefeito do Recife,João da Costa(PT) e o Blog separou os principais tópicos dessa entrevista.A entrevista completa está na edição de hoje da Folha.

Entrevista: João da Costa (PT) Prefeito do Recife
 


Após três meses afastado do comando da Prefeitura do Recife, João da Costa (PT) retoma, hoje, as rédeas da gestão. O petista - que se recuperou, com sucesso, de um transplante renal - diz estar pronto para enfrentar os desafios da segunda metade do seu mandato e as críticas recebidas. Nesta entrevista à Folha, João da Costa afirma que não tem plano B, em referência às especulações de que o deputado Maurício Rands poderia disputar a sua sucessão. “João da Costa só tem plano A”. O gestor ainda revela que não herdou a PCR do seu antecessor e hoje desafeto, João Paulo, em excelentes condições como foi propagado. “Recebi a Prefeitura com R$ 10 milhões em caixa e com restos a pagar de R$ 110 milhões”, afirma, ressaltando que “isso dificultou a realização de algumas ações”.

*Prefeito, o senhor retorna hoje ao comando da gestão. Está pronto para voltar?

Pronto, preparado. Pensei muito nesses três meses, refleti bastante sobre meus dois anos de gestão. Muitas ideias novas, principalmente, para tocar os projetos que a gente trabalhou nestes dois anos para viabilizar. Tirar do papel alguns que a gente lutou para viabilizar em Brasília. Elaborar projetos. Outros que a gente já começou e precisa dar continuidade. E isso só vai ser possível porque a gente trabalhou muito nestes dois anos. Um trabalho feito muitas vezes em silêncio, sem fazer muita divulgação do que a gente estava fazendo. Acho que o Recife vai ter um conjunto de projetos que, em outra época de sua história recente, não teve.

*Foram muitas dívidas deixadas pelo governo anterior?

A gente teve uns restos a pagar razoáveis para o orçamento da cidade. A gente trabalhou isso durante 2009, que foi um ano difícil. Recebi a Prefeitura com R$ 10 milhões em caixa e com restos a pagar de R$ 110 milhões. Então, na verdade, tinha R$ 100 milhões que a gente tinha que operar em 2009, que foi um ano de crise internacional. E isso dificultou a realização de algumas ações da Prefeitura. Agora, em 2010, a gente teve uma diminuição (no repasse) do ICMS e do FPM - na transferência do Governo do Estado e na transferência do Governo Federal. Isso tem repercussão no orçamento do Recife. Então, você aumentou os custos, continuou investindo - hoje muito mais do que antes. Com menos dinheiro do ponto de vista da valorização real do que você tinha em 2008. A gente teve que trabalhar bastante para adequar a gestão a uma situação econômica mais difícil da que se tinha antes e, ao mesmo tempo, garantir um conjunto de investimentos para a cidade.

*O senhor tem em torno de R$ 1 bilhão em caixa para investir em ações na cidade, e tem várias delas projetadas, porém também tem problemas para enfrentar. Quais deles o senhor encara como os seus maiores desafios em 2011?

Olha, o grande desafio de uma cidade como o Recife é diminuir a pobreza da maioria de sua população. Eu diria que a gente deve ter aqui o mesmo projeto da presidente Dilma Rousseff (PT). A gente ainda tem cerca de um milhão de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. A gente tem que combater isso! Como é que se combate? Urbanizando as áreas pobres; melhorando a assistência à mulher com a sócio-educação infantil de qualidade. Isso permite que as mulheres - principalmente as mais jovens - possam trabalhar, estudar, possam concorrer ao mercado de trabalho; procurando parcerias com o Governo do Estado e com o Governo Federal para ampliar o processo de qualificação profissional da nossa juventude, e articulando um projeto econômico para a cidade para se gerar emprego. E nós temos outras questões centrais: o trânsito e a mobilidade. Precisam ser enfrentados com ações da Prefeitura e em parcerias com o Governo do Estado. O transporte público de passageiros; o metrô - que está com o Governo Federal; os ônibus, sob o controle político do Governo do Estado, e algumas ações que a PCR precisa fazer. O ordenamento do Centro do Recife é uma prioridade, que a gente tem que pensar nesse período. E melhor, nestes dois anos, a manutenção da cidade. A gente reconhece isso. Lançamos, em outubro do ano passado, o programa Recife em Ação para investir R$ 43 milhões até o final deste ano. Então, vamos garantir esses investimentos para melhorar a qualidade da manutenção.

*Na semana passada, o PCdoB e PDT convidaram o ex-prefeito João Paulo para suas fileiras, de olho em 2012. O senhor acredita na possibilidade de enfrentá-lo na próxima eleição?

Olha, eu conversei com a direção desses partidos e, em nenhum momento, eu ouvi do PCdoB ou do PDT que querem lançar candidato para me enfrentar. Até porque a gente só vai discutir isso em 2012. Então, se existe um convite a João Paulo é porque ele quer sair do PT. Mas isso não é a primeira vez. É a 15ª que João Paulo quer sair do PT. É mais chuva de verão para ocupar o noticiário, do que fato político de verdade.

*Falando no deputado João Paulo, ele afirmou recentemente que o Parque Dona Lindu, que o senhor vai inaugurar em março, é uma paixão da vida dele. Pretende convidá-lo para a cerimônia de inauguração?

Eu vou convidá-lo. Acho que ele teve uma participação importante na definição inicial. A maior parte do parque ficou para eu fazer. Os maiores gastos. A estruturação do funcionamento. Fiz parte da gestão de João Paulo também (como secretário). Também ajudei, tanto que fui para a linha de frente defendê-lo. Então, não tem porque eu não convidá-lo. Esperamos que ele participe da inauguração dessa segunda etapa do parque.

GILBERTO PRAZERES  

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