O ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento disse nesta terça-feira que deixou o cargo no início de julho após perceber que não receberia mais do governo federal o apoio que lhe havia sido prometido.Durante discurso no plenário do Senado, Nascimento, que é senador pelo PR do Amazonas, negou envolvimento em irregularidades no Ministério dos Transportes e disse que os episódios que são alvos de denúncia ocorreram quando estava fora da pasta.
'Renunciei ao cargo de ministro no momento em que, diante dos ataques violentos a mim desferidos, não recebi do governo o apoio que me havia sido prometido pela presidente Dilma Rousseff', disse o ministro.
As denúncias de um suposto esquema de corrupção na pasta provocaram, além da saída do ex-ministro, o afastamento de mais de 20 servidores do ministério e de órgãos ligados a ele.
O afastamento em massa não agradou integrantes do PR --alguns até cogitam a saída da legenda da base de apoio ao governo.
A insatisfação na sigla é reforçada pelo sentimento de que o governo tem se comportado de forma mais branda com outros partidos que detém ministérios alvo de denúncias recentes, como o da Agricultura, da cota do PMDB.
'O PR, cuja presidência nacional eu assumi, não é lixo para ser varrido da administração', disse, referindo-se a faxina nos Transportes que atingiram indicados políticos da legenda.
Embora tenha recheado seu discurso com frases de ressentimento, o senador afirmou que a legenda deve avaliar com cuidado a saída da base do governo.
'Em relação a permanecer na base, essa é uma decisão que a gente precisa ter muita calma. Nós não podemos agir por revanchismo. Eu sou o presidente nacional do partido', disse Nascimento da tribuna.
Durante o discurso, também não faltaram elogios e frases de apoio à presidente Dilma. 'Acreditamos no governo da presidenta Dilma e continuaremos a apoiá-la.'
O agora senador também rebateu as acusações envolvendo seu filho, Gustavo Morais Pereira, alvo de suspeitas por conta de um suposto aumento patrimonial significativo, e disse que elas foram motivadas por um adversário político regional.
'Eu vou buscar a correção do que fizeram com meu filho. Vai ter que ser corrigido e eu sei que a Justiça vai corrigir isso', afirmou.
Reuters
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