Sem apresentar novidades em relação ao que já havia dito no Senado, o diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Transportes de Infraestrutura (Dnit), Luís Antônio Pagot, voltou a negar nesta quarta-feira acusações de corrupção.Pagot, que desta vez falou na Câmara dos Deputados, manteve o discurso do dia anterior, ajudando o governo a enfrentar mais uma crise política.
A crise começou há 11 dias, quando a presidente Dilma Rousseff afastou membros do partido que ocupavam cargos na área de transportes depois que a revista Veja publicou uma denúncia do funcionamento de um suposto esquema de propina no setor que beneficiaria os cofres do Partido da República (PR) com até 5 por cento dos contratos firmados no Dnit. A denúncia resultou na renúncia de Alfredo Nascimento, também do PR, do cargo de Ministro dos Transportes.
Pagot e o PR negam as acusações. 'O PR não é diferente de nenhum outro partido no Brasil, na época de campanha tem necessidade de receber recursos para fazer frente (à campanha eleitoral). Mas o Dnit não é instrumento do partido para fazer captação (de recursos)', disse aos deputados.
Pagot aproveitou para afirmar que o novo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e o diretor de infraestrutura rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron, são técnicos 'competentes.'Com o depoimento do diretor afastado sob controle, o Palácio do Planalto começou a manobrar para conter a crise política com o PR. Desde que a presidente afastou os membros do partido do setor de transportes sem avisar previamente à cúpula partidária, os parlamentares, em especial os deputados, demonstram irritação com a atitude.
Na terça-feira, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), boicotou a reunião de líderes aliados, que acontece semanalmente com a presença da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
Há relatos de parlamentares de que o secretário-geral do PR, Valdemar da Costa Neto, se mobiliza para levar o partido para a oposição, o que também foi negado oficialmente pela legenda em nota.
Nesta quarta, na tentativa de acalmar a bancada do PR na Câmara, Ideli chamou deputados do partido para uma conversa no Palácio do Planalto. Um dos objetivos é fazê-los ir ao encontro de Dilma mais tarde, num coquetel que será oferecido aos líderes aliados no Palácio do Alvorada.
A oposição demonstrou frustração com o depoimento de Pagot e tentou, durante a audiência pública, arrancar alguma declaração contra o governo em vão.
'O senhor está pagando por essas acusações sozinho, doutor Pagot', disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).
O tucano também apresentou um documento na audiência pública pedindo que o diretor afastado aceitasse entregar à Comissão de Fiscalização e Controle da Casa seus sigilos bancários, fiscal, telefônico e de correio eletrônico.
Pagot disse que assinará o documento. 'A única coisa é que vou deixar (o documento) na mão da comissão', afirmou.
Da Agência Reuters
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