domingo, 20 de março de 2011

Júlio e os adversários

O prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio (PMDB), é uma ilha num mar de adversários. Eleito sem o apoio do governador Eduardo Campos (PSB) em 2008, o peemedebista está na mira dos seis deputados com base eleitoral no município e tem apenas dois aliados entre os 14 vereadores da cidade. Quem pensa, contudo, que ele está disposto a pedir socorro, pode se enganar. Lóssio espera ser um sobrevivente na oposição. Mesmo com um cenário adverso pela frente, o prefeito não deseja pegar o barco governista. Dizem os mais próximos que há um ´cruzeiro` passando - com a presidente Dilma Rousseff (PT), o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e Eduardo Campos. Mas ele não arreda o pé.

O último sinal de resistência ocorreu na quinta-feira passada, na cidade que comanda, na abertura do programa Todos por Pernambuco, no auditório do Senai. Lóssio posou para fotos ao lado do governador, ficou à vontade e também recebeu atenção de Eduardo, mas os sorrisos e cumprimentos de ambos foram administrativos. Um dia depois de o prefeito ver a caravana do governo passar, ele garantiu que não mudaria de lado.

´Tenho uma posição muito bem definida no estado e não pode haver dúvidas. As pessoas não confiam em quem vira a casaca o tempo todo. Na abertura do programa estadual, por exemplo, eu e o governador discutimos apenas o que é importante para o município`, observou.

Embora esteja numa posição frágil, com uma avaliação política considerada ´regular`, segundo ele mesmo reconheceu, Lóssio frisa que não pode agir pensando na próxima eleição. ´Acredito que, em Petrolina, temos a maior oposição do Brasil. Mas eu procuro manter as minhas posições, sempre com o diálogo aberto. As pessoas que me elegeram em 2008 sabiam de que lado eu estava. Não acredito que vai haver prejuízo por causa disso`, pontuou.

Questionado se tinha sofrido alguma retaliação do governo por ser oposicionista, ele disse que não, mas ponderou que vai esperar os acontecimentos. ´Eu sou novo na política, esse é meu primeiro mandato como prefeito e talvez eu não enxergue com muita clareza, não saiba como é que funciona. De qualquer forma, apresentei pleitos muito importantes ao governador na última quinta-feira, como a necessidade de construção de uma Unidade de Pronto Atendimento, a importância de reforma da rodoviária e um ramal da Transnordestina para Petrolina. Ele nos ouviu e vamos esperar`, observou.

Júlio Lóssio também cobrou do governo mais atenção à saúde básica e à segurança pública, mas não quis falar sobre 2012, ou de rumores que apontam o abandono do seu projeto de reeleição. ´Vamos aguardar porque ninguém é candidato de si mesmo. Acabamos de sair de uma eleição e só quero falar de outra no próximo ano`, assegurou, evitando ser categórico. Enquanto o prefeito diz ´esperar`, os oposicionistas se movimentam. São muitos e todos da base de Eduardo Campos. Até 2012, por exemplo, Lóssio enfrentará uma oposição com nomes de peso, como o secretário de Agricultura, Ranilson Ramos (PSB), os deputados federais Fernando Filho (PSB) e Gonzaga Patriota (PSB), os deputados estaduais Odacy Amorim, Ciro Coelho, ambos doPSB, Adalberto Cavalcanti (PHS) e Isabel Cristina (PT). A ilha de Lóssio está pequena, realmente, e esse mar (até agora) não está para peixe. Ninguém sabe se haverá resgate ou oportunidade de jogar a ´rede`.



Aline Moura do Diário de PE
alinemoura.pe@dabr.com.br

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