quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Indicação de Daniel racha oposição

Deputado Estadual eleito Daniel Coelho(PV)


Em situação já desfavorável, com apenas dez deputados estaduais, a oposição no Estado rachou em cima do pouco que lhe resta. Atual líder da bancada oposicionista, Augusto Coutinho (DEM), eleito deputado federal, enfatiza: “Rachou completamente”. As já conhecidas sequelas na relação entre o DEM e o PSDB desencadearam a divisão da ala em dois blocos como já era esperado. De um lado, PSDB, PV e PMN formalizaram ontem a indicação do verde Daniel Coelho para líder da bancada. Do outro, DEM e PMDB, sem acordo com os tucanos, isolaram-se em uma aliança paralela. 

Apesar das tentativas de composição, levando em conta o segundo biênio, os democratas ouviram um “não” do PSDB, que “não aceitava que o (deputado estadual) Tony Gel (DEM) fosse o líder nem num segundo momento”, revelou Augusto Coutinho.Com essa informação, reforçou a tese de “veto”, negada por parlamentares tucanos. “Por que é veto? Porque (o presidente nacional do PSDB) Sérgio Guerra não quer (Tony Gel na liderança). Isso é o que chega no ouvido da gente”, entregou o democrata. 
O desentendimento entre o dirigente tucano e Tony Gel é oriundo da campanha eleitoral deste ano. O problema surgiu quando Gel decidiu apoiar Augusto Coutinho para federal no lugar de fazer campanha para Guerra, de quem havia recebido ajuda para a disputa pela prefeitura de Caruaru, em 2008. O tucano entendeu como quebra de compromisso e o assunto acabou ganhando repercussão.  
Sérgio Guerra pouco tem falado sobre as articulações locais, diz apenas que está “focado no âmbito nacional”. Interlocutores do PSDB, no entanto, relatam um recado do presidente nacional, rejeitando a participação de Tony Gel na liderança do Legislativo estadual. “Como vamos aceitar sentar à mesa e negociar com esse veto?”, questiona Augusto Coutinho. Ele realça não haver problema “específico”, nem “nada contra” o deputado estadual Daniel Coelho. 
Desconfortável com o cenário, Augusto indagou: “O PSDB não faz oposição. Boa parte dos deputados não faz, não fez e nem vai fazer e é esse partido que escolhe o lider da oposição?”. Em seguida, completou: “Uma questão pessoal não pode estar acima de questões do partido”. Augusto revelou ainda que o deputado estadual Severino Ramos (PMN) “sofreu ameaças” e foi “cooptado” para ficar ao lado do PSDB, quando, inicialmente, havia se comprometido a apoiar o DEM e o PMDB. “Ele disse a (o deputado estadual) Gustavo Negromonte (PMDB) que foi ameaçado de ter represálias do seu partido”, lamentou. 
Soou estranho também a Coutinho a interferência do presidente estadual do PPS, Raul Jungmann, no processo, em favor do PSDB. “Mendonça Filho (presidente estadual do DEM) ligou para Jungmann e ele não retornou”, registrou Augusto. O democrata entende que para achar uma solução não pode haver “veto” e deve ser feito um “rodízio que permita trocar o líder anualmente”.

Da Folha de Pernambuco

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